Equipamentos
Em um depósito situado no local onde costumavam funcionar os Cines Fátima e Regina, em Brumado – BA, está guardado um acervo significativo de equipamentos e materiais periféricos utilizados na exibição analógica de filmes em 35 mm.
Dentre os itens, destacam-se oito conjuntos de projetores, compostos por bases / pedestais e lanternas. Esse maquinário era responsável pela projeção das imagens em movimento, exigindo manutenção constante e operação técnica especializada. Além dos projetores, encontram-se também amplificadores de som que integravam o sistema de áudio da cabine de projeção, essenciais para a reprodução sincronizada das trilhas sonoras gravadas na película.
Há uma variedade de modelos, marcas e origens representadas no conjunto de projetores:
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um exemplar da marca Cinemeccanica Victoria, de origem italiana, importada em 1976 em parceria com o Padre Daniel Stenico, de Livramento de Nossa Senhora, para utilização no Cine Vitória. Posteriormente, a máquina foi levada para Brumado e utilizada nos Cines Fátima e Regina.
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dois exemplares da marca estadunidense RCA. Pelo menos duas delas foram utilizadas no Cine Capri, em Porto Seguro.
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um exemplar da marca Century, também estadunidense. Foi a máquina utilizada no Cine Teatro Fátima, antes da substituição pelo modelo italiano.
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quatro exemplares do modelo Incol, da fabricante brasileira Indústria Cinematográfica Orion Ltda. Dois deles pertenceram ao Cine Sorbone, de Guanambi, antes de serem adquiridos por Zuzu para utilização na filial guanambiense do Cine Teatro Fátima. Os outros dois exemplares foram adquiridos de uma sala de cinema da cidade de Riacho de Santana – BA, para equipar a filial de Igaporã.
Os projetores requerem uma série de itens periféricos para funcionar. Entre eles, estão carretéis ou bobinas metálicas, utilizados para acondicionar os rolos de filme e essenciais para a movimentação da película. Outro item necessário nesse processo motriz é o cabeçote do tambor, o mecanismo que conecta o carretel ao eixo giratório do projetor e permite que o filme seja desenrolado ou enrolado de forma controlada. Já o obturador era responsável por controlar o feixe de luz que atravessa o filme durante a projeção.
Há também no acervo pelo menos vinte e quatro lentes acondicionadas em uma caixa, variando em tamanho e focalização, o que indica o uso em diferentes distâncias e formatos de tela. São elementos ópticos de precisão, indispensáveis para o foco e a nitidez da imagem projetada. Dentre as marcas identificadas, estão as francesas Kinoptik e Pathé Frères, e a estadunidense Simplex.
A evolução tecnológica das fontes de luz dos projetores está representada no acervo. Há um conjunto de 17 (dezessete) eletrodos de carvão, que são barras de carbono condutor. Eles eram componentes essenciais das lâmpadas de arco voltaico, que geravam a luz intensa necessária para projetar as imagens na tela antes do advento das lâmpadas halogênicas e lâmpadas de xenônio. Por falar nelas, há também alguns exemplares, de marcas de origem estadunidense e alemã. Mais um item presente é a fotocélula, responsável por converter as variações de luz da trilha sonora óptica em sinais elétricos que eram posteriormente amplificados.
Além dos equipamentos técnicos, o depósito conserva objetos cotidianos relacionados ao funcionamento e administração da sala de cinema, como carimbos personalizados do Cine Teatro Fátima usados nos borderôs, livros-caixa e outros documentos.
O acervo de equipamentos, em seu estado atual, requer melhores condições de guarda e conservação, visto que demanda muito espaço físico e manutenção. Ainda assim, constitui um testemunho material relevante da história das salas de cinema de rua do interior da Bahia e das práticas técnicas associadas à exibição cinematográfica antes da digitalização.









































