Borderôs
Os borderôs, ou “fichas de movimento geral de filme”, eram documentos de controle financeiro e administrativo que registravam as receitas de bilheteria dos filmes exibidos nos cinemas – tanto os longas-metragens quanto os curtas e cinejornais. Eles funcionavam como um relatório de bilheteria, servindo de base para o cálculo da participação nos lucros de cada agente do setor (produtores, distribuidores, exibidores), e para o recolhimento de taxas e tributos.
A utilização de borderôs e ingressos padronizados começou a ser adotada pelo extinto Instituto Nacional de Cinema (INC) já na década de 60, a fim de adquirir dados sobre o mercado exibidor. Com a publicação da Resolução 93/74, a prática tornou-se obrigatória para todos os cinemas em território nacional. A emissão e recolhimento dos borderôs e ingressos era feita pela Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes S.A.), órgão de fomento à produção e distribuição, atrelado ao INC. A Embrafilme utilizava os borderôs também para o monitoramento do desempenho comercial dos filmes nacionais e justificar investimentos e financiamentos em novas produções.
Os donos de salas de cinema precisavam preencher os borderôs com as informações sobre todas as sessões realizadas, e remeter os documentos para a Embrafilme, para obter vistos de aprovação da programação, sem os quais estariam passíveis de receber multas e outras sanções.

ACZ – BDR – Bdo – 1974 – 001, frente.

ACZ – BDR – Bdo – 1974 – 001, verso.
No acervo documental de Zuzu, foram analisados, catalogados e digitalizados 28 (vinte e oito) borderôs – 24 (vinte e quatro) deles datados do ano de 1974, e 4 (quatro) deles do ano de 1975.
Todos são personalizados com o nome do Cine Teatro Fátima, e seguem a padronização de campos a serem preenchidos pelo administrador da sala de cinema: número da ficha, mês, ano; data de entrada (chegada) e saída (devolução) do filme; nome do filme e da companhia distribuidora; nome do cine-jornal, companhia distribuidora e datas de entrada e saída; datas de exibição, nome de jornal ou short (curta-metragem) exibido, preço de ingressos – meia e inteira, quantidade de ingressos meia e inteira vendidos, receita diária, receita bruta, receita líquida, e valores totais; valores de aluguel de filme, trailer, jornal, despesas, M. Reclame, frete, e valores totais; cheque, companhia, número do cheque e valor; G.M., porcentagem e Show. No verso, há uma série de linhas destinadas para a escrita de observações.
Visto que os borderôs eram personalizados, havia campos destinados à quantidade de ingressos vendidos especificamente nos povoados de Pedra Preta e Catiboaba, localizados na cidade de Brumado – BA.
A coordenação de pesquisa decidiu utilizar a seguinte codificação para a catalogação dos borderôs:
Sigla do acervo – Categoria do item – Cidade(s) – Ano – Número do borderô
Exemplo: ACZ – BDR – Bdo/Par – 1974 – 001
O número do borderô indicado no código foi definido por ordem cronológica considerando o conjunto total de borderôs, sendo o número 001 de maio de 1974, e o número 028, de dezembro de 1975.
Em cada borderô, existe um número de ficha, que não tem correlação com o número definido na codificação, uma vez que os números de ficha eram zerados a cada mês. Há três borderôs de maio de 1974, identificados como 001, 002 e 003, mas cujos números de ficha são respectivamente 13, 15 e 16. Isso significa que, naquele mês de maio, a sala de cinema preencheu pelo menos 16 borderôs, mas nem todos eles se encontram guardados no acervo.
No verso de 15 dos 28 borderôs, foram preenchidos, de forma improvisada, dados referentes a exibições na cidade de Paramirim – BA, onde Zuzu mantinha o Cine Aliança. O verso de um dos borderôs contém, ainda, as palavras “Cine Pax Caetité”.
Para a exposição no site, a curadoria selecionou alguns borderôs ilustrativos. No link abaixo, é possível acessar a pasta contendo as fichas catalográficas de todos os borderôs presentes no acervo.

